Tecnorresistências feministas
corpo-território, economias populares e redes comunitárias
DOI:
https://doi.org/10.24862/rcdu.v17i2.2417Palavras-chave:
digitalização; feminismo; resistência.Resumo
O presente artigo objetiva analisar criticamente o regime político neoextrativista à luz de uma abordagem feminista materialista, destacando suas interseções com o capitalismo, o colonialismo e o patriarcado. Parte-se da compreensão de que o extrativismo contemporâneo se amplia para além da exploração de recursos naturais, alcançando a esfera digital por meio da dataificação da vida, em um processo de despojo tecnologicamente mediado. Nesse contexto, propõe-se investigar o extrativismo digital como uma atualização das práticas coloniais, explorando o conceito de corpo-território em sua dimensão digital e examinando redes comunitárias como expressões de resistência tecnológica. A pesquisa, dividida em três seções, busca compreender de que forma a politização feminista das tecnologias pode superar a lógica neoliberal e estadocêntrica vigente, propondo alternativas baseadas em autonomia, solidariedade e justiça social. A pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza teórico-conceitual, desenvolvida por meio de pesquisa bibliográfica e documental. O referencial metodológico fundamenta-se na perspectiva feminista materialista, articulada às contribuições da teoria decolonial e dos estudos críticos sobre tecnologia e colonialismo de dados. Iniciativas como as redes comunitárias exemplificam estratégias de reapropriação tecnológica que rompem com a lógica mercadológica e extrativista, e servem como exemplos privilegiados de análise da construção de um ambiente digital de potencialidades. Ancorado nas economias feministas e populares, o estudo propõe tais experiências como laboratórios tecnopolíticos de resistência, capazes de inspirar novos modelos de desenvolvimento que subvertam as práticas de dominação e exploração típicas do atual regime tecnoeconômico global.
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